Cátia @ 16:53

Dom, 10/07/05

O dia começou, reluzente, cheio de luz, com uns pássaros a cantarolarem enquanto, do outro lado do prédio, prosseguiam umas obras barulhentas. Tocou o despertador mas nem o ouvi. Do outro lado da cama, desligaste-o enquanto a custo tentavas acordar mas com poucos resultados. Voltou a tocar o despertador. Tentaste acordar-me, chamaste-me mas a única coisa que me lembro foram os teus doces beijos no pescoço.
Levantei-me algum tempo depois com a consciência que tínhamos de sair dentro de pouco tempo. O gato já se retorcia nas minhas pernas quando vi a tua expressão de chateado enquanto limpavas a bancada da cozinha. Sem perceber bem porquê perguntei-te o que tinhas ao que respondeste um simples "nada". Não me convenci mas lá fui tentar despachar-me.

Depois de uma ligeira discussão saímos de casa num silencio cortante. No elevador, estavas distante de mim como que se não me quisesses tocar. No caminho para a estação, disseste palavras que acabaram por me magoar, senti-me injustiçada. Chegámos à estação. Nem esperaste por mim, as tuas pernas andaram mais rápido e a tua cabeça estava longe de se preocupar em que paragens eu teria ficado. O comboio para o outro lado do rio não tardou em chegar, e sempre no silêncio fizémos uma viagem mas quando estávamos quase a chegar abraçaste-me. Não sei se te deste conta ou se apenas já não aguentavas o silêncio.

Tentei esquecer o momento e mudar o ambiente... até me parecia que estava a consegui-lo quando me disseste que estavas triste. Senti o meu coração partir-se em mil pedaços, eram as últimas palavras que queria ouvir, fosse qual fosse a razão.

Subimos a escadaria e esperávamos o comboio que te levaria para longe de mim... É sempre tão difícil quanto te afastas, mesmo que por um só dia. O meu coração começava a apertar com as saudades que já nasciam em mim. Ao nosso lado, um casal mais jovem abraçava-se numa despedida. Só me apetecia subir no comboio e partir em mais uma aventura do teu lado mas sabia que não podia... E deixei-te ir.

Vi-te partir mais uma vez mas sei que em todas irás voltar, sei que o nosso amor irá prevalecer até mesmo quando o nosso parece abanar. És tanto para mim...

Desci as escadas. O dia era longo. Percorri as estradas... voltarás em breve.

******
Cátia




Cátia @ 03:04

Sex, 08/07/05

A
Foto: Angel Wings by Sita Atis

O dia nasceu negro apesar do sol brilhar. Na incerteza de um sonho tornado pesadelo, o coração apertou tristemente como que numa premonição do que seria uma verdade. Perdi-me. Algures entre o sonho e o pesadelo perdi no nevoeiro o caminho do sorriso.
Mas, uma vez mais, a tua mão estendeu-se e num gesto carinhoso conduziste-me onde havia um pouco mais de luz e elevaste-me ao teu mundo. Não posso deixar de acreditar que és o meu anjo que me empresta as suas asas sempre que estou a cair. Não posso ignorar o doce sabor dos teus lábios e a doçura do teu abraço nos momentos em que o mundo é pintado por cores negras.
Por mais este momento que me ofereceste, por mais este fôlego que me deste, o meu grande obrigado, amo-te de uma forma indiscritível e sei que és o meu anjo... espero que para sempre. Amo-te!

Beijos doces,
Cátia




Cátia @ 02:41

Sex, 08/07/05

AA

AA

AA
Fotos Retiradas do site da Sky News

Estas são as imagens que vimos hoje, vezes sem conta, uma após outra, todas são imagens de sofrimento, dor, destruição, ódio, guerra. Todas são imagens de pessoas inocentes que, mais uma vez sofreram nas nãos de alguém. Alguém que supostamente é um grupo extremista islâmico. Alguém que quer ser ouvido e respeitado mas esqueceu-se de respeitar o mais importante: a vida.

Hoje acordei. Eram cerca das 10h30 quando liguei a televisão, pouco depois a SIC Notícias dava em directo a notícia de última hora. Tudo muito incerto e confuso, sem se perceber de facto a magnitude do que aconteceu.
Foi o dia todo, e continua... foi o dia todo para nós mas para muitas vidas foi o último segundo.

Não pretendo descrever o que aconteceu, todos sabemos que coincidiu com a abertura da Conferência dos G8. Todos sabemos que foi um ataque terrorista. Todos sabemos que ficaram feridos para lá das 700 pessoas, cerca de 150 com muita gravidade. Todos sabemos que pelo menos 37 vidas deram o último fôlego e os números devem aumentar. Mais uma vez, parou uma cidade, mais uma vez parou o mundo.

Mas, a verdadeira razão deste apontamento que provavelmente se tornará longo. Sendo contra guerras e contra qualquer acto terrorista ou qualquer acto que infrija dor ou sofrimento de qualquer tipo a pessoas inocentes, estes actos deixam-me perplexa. Primeiro porque abisma-me a facilidade do Homem se magoar a si próprio. Depois porque atordoa-me a forma como o Homem está constantemente a destruir o seu mundo.
Este acto terrorista não tem muito de diferente em relação ao dos EUA, Madrid, Marrocos ou uns quantos mais que se sucederam nos últimos anos. Mas talvez tenha sido dos que mais me revoltou. Porquê, porque coincidiu com a Conferência dos G8. Porque ali pretendia-se, nem que seja, discutir a pobreza em ÁFRICA (... áfrica também tem tropas no Iraque?!?!?) e o sobreaquecimento global. Pretendia-se discutir formas de parar com a SIDA que mata milhões todos os anos em TODO o MUNDO.. mas esperem... matar INOCENTES numa altura que se procura dar um rumo melhor ao mundo está errado portanto... toca de fazer um atentado e evitar que essa conversa decorra. O importante é que se lembrem que existem.

Considero-me uma pessoa tolerável mas, de facto, isto dá-me a volta a cabeça e por muito que tenha consciência que muitas pessoas morrem no Iraque inocentemente devido à ganância do Bush e do Blair, nada me consegue convencer da justiça destes actos, deste muito em particular pois prejudica um continente que tem vindo a morrer apesar de toda a riqueza e que não faz mal a ninguém (eu sei que há excessões) e consequentemente prejudica o mundo inteiro pois endivida-se cada vez mais e transmite imensas doenças que poderiam ser facilmente curadas. Mas, Bush e Blair não prestam e tudo o mais que 90% do mundo acha, mas em vez de tentar-se matar essas 2 pessoas continua-se a matar inocentes porque esses não têm protecção nenhuma e são alvos muito mais fáceis... mesmo que a opinião deles não interesse para nada no que toca às decisões dos países.
Sinceramente este acto repudiou-me pela falta de humanidade que teve, pela falta de respeito, pela falta de sentido, sei lá... por tudo.

Não sei se me consegui explicar. Não sei se saíu aquilo que queria transmitir. Não sou minimamente a favor das ideias do Bush ou do Blair mas muito menos posso aceitar este tipo de actos. Há que ter respeito pela vida humana e pelas decisões política e religiosa de cada um. Não posso aceitar que efectuem estes actos citando a sua religião. Não posso aceitar que uma religião se ache superior ao ponto de querer dominar o mundo, qualquer que esta seja, muito menos chegar ao ponto estúpido de matar por isso. Não sou capaz de compreender, não sou capaz de aceitar por muitos motivos que me pudessem dar.

A única coisa que espero é que nos achem suficientemente insignificantes para nunca se lembrarem de virem até cá... pois é... GNR no Iraque, sr. dr. Barroso que decidiu por Portugal inteiro (... pois é, esqueceu-se de perguntar ao país se apoiávamos a causa americana....) e juntou-se a uma aliança donde não ganhou nada e nunca foi reconhecido sequer... Espero que os portugueses não paguem caro pelo carácter vaidoso desse sr. que foi nosso PM.

Bem, perdoem-me mas estas são as minhas ideias... não pretendo sair a matar aqueles que não concordarem comigo e este é mais um apontamento de revolta, raiva, tristeza e de estupfação perante o que aconteceu hoje.

******
Cátia




Cátia @ 01:14

Qui, 07/07/05

A
Foto by: Pedro Camara.

 

Nasceu o dia.
Por entre paredes caiadas de branco
E sonhos pintados de cores,
Relembram-se memórias de tempos passados.

A porta de um castanho escuro, pesado, abre-se
Por trás surge a tua imagem, outrora radiante, agora pálida e cansada.
Com um olhar de criança triste mas que ainda assim brilham
Esboças um sorriso sem fim...
É tão saborosa esta companhia.

Com pele enrugada, marcada pela vida
Contas em cada ruga uma história
Em cada mancha da pele, contas um tempo passado.
Em cada gesto trémulo, mostras uma hora de felicidade,
Em cada pestanejar lento contas um sonho realizado...
Em cada fôlego que dás, vives de novo.

Segues passo a passo um caminho lento,
segues passo a passo a direcção da luz,
Onde te esperam e te dão a paz.
Custa ver-te seguir esse caminho e,
Por falta de coragem deixo-te sozinha.

A assiduidade é cada vez menor,
A atenção parece desaparecer,
Não por falta de amor,
Mas por não querer aceitar
Que se perca assim tão facilmente
O que se leva toda a vida a ganhar.









A porta abriu-se e lá estavas tu,
Mto sentada tal qual uma boneca,
A boneca que criei com todo o coração.
Os meus olhos, cansados e velhos,
Senti-os brilhar como nunca
É incomparável a felicidade de ter aqui.

As tuas palavras,
As fotografias dos pequenos,
Os sonhos que tens,
As alegrias e tristezas que me contas.

Contudo, tenho dificuldade em ouvir tudo.
Quero tanto absorver tudo o que me dizes,
Do mundo que outrora fora também meu,
Mas este corpo velho e debilitado, limita-me,
Não me permite memorizar tudo e perco-me algures.

Já me dei conta de acordar
Sentada na velha cadeira do quarto
E ver-te olhar pela janela silenciosamente,
Sem perceber se os pensamentos que te assombram
São alegres ou felizes.
Será que ficou algo por fazer?

O tempo passa e chega a hora de te ires embora
Prometes que voltas assim que puderes
Mas as visitadas distanciam-se cada vez mais.
Sinto-me ficar sozinha mesmo sendo bem tratada.
Sinto-me inútil.

A porta fecha-se mas prometes voltar.
Mas não voltaste...


Estes não são mais que textos... a ideia? colocar-me no lugar de uma idosa num lar e no lugar da filha que "perde" a mãe. Não sei se será isto que sentem, não sei se são estes os sentimentos que passam nos seus corações e mentes. Sei apenas que foi isto que o meu coração escreveu...


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Cátia



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