Cátia @ 01:15

Qua, 08/09/04

russiaflores.jpg

Após estar impossibilitada de fazer updates no blog por uma qualquer razão desconhecida que tem a ver de certeza com uma falha qualquer do serviço da sapo (mais uma vez...), o anterior artigo está datado a 4 de Setembro (altura que foi escrito) mas só hoje foi possível publicá-lo. Assim sendo está, como é óbvio algo desactualizado nos dados.

Passados 4 dias da tragédia de Beslan contam-se já com perto de 350 mortes confirmadas (156 eram crianças), 200 pessoas desaparecidas, 128 corpos irreconhecíveis, mais de 400 pessoas internadas nos hospitais... mais de 200 são crianças. Crianças que mal falam, crianças que não sabem os seus nomes ou os dos seus pais, crianças demasiado traumatizadas para serem capazes de ir a uma escola, para continuarem as suas vidas, para esquecerem aqueles 3 dias. Crianças que perderam amigos, irmãos e irmãs, talvez pais, avós, professores. Crianças que provavelmente desenvolverão uma sede de vingança, crianças que não serão capazes de desculpar um acto imbecil... um acto que pretendia começar uma guerra... e provavelmente terão realmente começado... infelizmente.

Hoje foram publicadas imagens filmadas dentro da escola, pensa-se que ainda no primeiro dia do sequestro. É possível ver-se as bombas penduradas a pouco mais de um metro das pessoas, é possível ver-se um rasto de sangue no chão, é possível ver-se pessoas quase que apilhadas umas sobre as outras...

Aquelas eram as caras... aquelas eram as vidas, aqueles eram os sonhos...


Na memória deles ficam caras, olhares, momentos.
Na minha memória ficam as imagens. Na minha cabeça ficam a rondar pensamentos de coisas estranhas que aconteceram e para mim inexplicadas e assim devem continuar. Contra-senso em vários dados fornecidos pelas próprias autoridades russas, explosões que se dão sem se perceber porquê ou quem as fez eclodir. Números incertos de sequestradores encontrados, capturados, mortos, vivos. Populares que "passeavam" ou retiravam vítimas do ginásio enquanto tiros eram disparados à sua volta e bombas explodiam. Declarações das tropas russas que diziam ter a escola sob seu controlo quando era possível ouvir-se os tiros e explosões constantes, dps já tinham praticamente sob controlo, depois já estava de novo sob controlo... enquanto populares e jornalistas tinham acesso a todo o cenário macabro. Falta de planos de emergência... Algo falhou redondamente naquele dia, falhou demasiado!

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Cátia


Pedro @ 02:34

Qua, 08/09/04

 

Oi Cátia, sendo as noticias dadas por altura do almoço ou do jantar, e estando nós habituados nos dias que passam a assistir a momentos violentos, desde manifestações supostamente pacificas a conflitos armados, parece afinal que não estamos totalmente vacinados e insensiveis quando casos como este acontecem vindos sabe-se lá de onde... ainda por cima quando ao barulho estão envolvidas crianças que nada têm a haver com o conflito, mas só por terem determinada nacionalidade representam um alvo fácil para os terroristas, bem.... neste caso é mais são vistas como meros obejctos de ódio para um grupo de assassinos, certamente com problemas psicológicos, já para não dizer outra coisa. Pessoalmente custa-me não só ter a noção de que isto aconteceu mas também por estar profissionalmente envolvido, uma vez que visualizo vezes sem conta as imagens do acontecimento, as que são divulgadas e as que permanecem fora do olhar público dada a intensidade brutal das mesmas não ser toleradas por muitos. Chega a um ponto que se a pessoa não pára para reflectir e abster-se da cruel realidade então profissionalmente está no ramo errado, tal como alguém que não aguenta assistir a uma operação não pode ser médico. O mundo caminha por dúbias estradas que se dirigem para um abismo se nada mudar, e embora as mentalidades dos mais jovens sejam mais realistas e até solidárias, penso que o futuro pode ser dislumbrado com maior optimismo se pararmos para pensar nos outros que nos rodeiam e quer queiramos quer não, hão-de sempre influenciar as nossas vidas. Não acredito que as crianças quando crescerem e enquanto crescerem pensem em vingança, mesmo estando elas a viver numa sociedade que de positivo pouco tenha... até porque as mentalidades ao longos dos anos têm evoluído (e continuam a evoluir) num sentido positivo, estamos todos mais sensiveis a tudo o que acontece no mundo e muito, mas muito mais solidários uns com os outros! Não sei se deva contar isto mas sucedeu que o Evgani Mouravisch a certa altura, após dias dolorosos, começou a alterar o modo como relatava os dias vividos, mostrando-se mais agressivo para com os terroristas (lembrem-se que um jornalista é sempre imparcial!) até ao ponto de informar a RTP que não conseguia montar mais peças de reportagem porque simplesmente não aguentava mais, estava revoltado, cansado, desgastado por tudo o que tinha presenciado, nem sei bem explicar por palavras mas penso que consigas perceber o que quero dizer... a certa altura cedemos perante os nossos sentimentos e aí não há nada a fazer!

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