Cátia @ 00:13

Sab, 18/12/04

x_carris.jpg
Foto: Tobias Zeising

O dia nasceu solarengo, o céu azulado com uma leve brisa fria. Os carros estão cobertos com pequenas camadas de geada. Nota-se bem que é Inverno. O relógio marca 8 horas. Na estação de comboios, cinzenta e sem graça, com bancos de metal velhos e gastos, escadas de pedra sujas e usadas, o elevador transparente avariado, dezenas de pessoas esperam pela sua viagem. Não há sorrisos, talvez por estar muito frio. Todas as pessoas estão vestidas com gorros e cachecóis castanhos, cinzentos, pretos, azuis escuros, de fatos escuros e sobretudos quentes... também eles escuros. Não se vê uma cor alegre em toda a estação, será que é o reflexo de uma infelicidade geral? Avistam-se pessoas de todas as etnias e idades, todas demasiado sóbrias e sérias, demasiado atarefadas nos seus próprios pensamentos ou nas conversas corriqueiras de colegas de trabalho ou vizinhos.
No altifalante, ouve-se uma voz de mulher a anunciar um qualquer comboio que se aproxima da plataforma de embarque, contudo o som sai tão distorcido que é impossível perceber qual o destino do comboio. O placar há muito que deixou de anunciar, apenas se vê uma placa no cimo de uma coluna de ferro já meia enferrujada com o número 3.
Saem pessoas do comboio. Todas carrancudas, todas demasiado ocupadas, todas tão embebedidas nos seus pensamentos que nem se apercebem que, no céu, o sol brilha.
Por entre um monte de sobretudos escuros de pessoas carregadas de sacos e malas sobressaem repentinamente uns cabelos muito loiros em canudos. Um olho azul cintilante brilha com a luz do sol e um sorriso enorme revela-se por trás de um grande saco negro com um pequeno laço azul a sair por fora. Aos poucos a estação enche-se de uma alegria outrora impossível. É uma pequena menina de uns 5 anos de idade com um cabelo de anjo e uns olhos de mar, com um vestido creme e umas collants brancas, mto bem aconchegada no seu pequeno e fofo casaco rosa com uma gola de pêlo falso em tons creme. Nos pézitos umas botinhas de tamanho reduzido também elas cor-de-rosa claro. Na cabecinha, resguardando-a do frio via-se um pequenito gorro de lã em tons de creme, nas orelhas umas farfalhudas protecções de pêlo rosa muito clarinho e nas pequenas mãos umas luvas com risquinhas brancas e rosas. Numa mão segurava com força um pequeno coelho de peluche castanho claro com uns grandes bigodes e uma enorme barriga creme, do outro lado uma grande bolacha redonda ainda fumegante com pequenas pepitas de chocolate, ainda se pode sentir o cheiro da bolacha, recém-cozinhada. Na cara de pele muito clarinha, leva estampado um sorriso da cor da neve, inocente e sincero contornado por uns pequenitos lábios avermelhados.
Perante a imagem de uma estação tão cinzenta, sem graça e sem cor, a criança lembra com os seus olhos cintilantes e os seus pequenitos lábios... É Natal!


Vivam o Natal como uma época especial, lembrem-se de quando eram ainda crianças e tudo era encantado, lembrem-se dos cheiros próprios desta época e da felicidade de estar mais perto de quem mais amamos, mesmo que seja apenas por termos mais um minuto para nos lembrarmos de quem faz parte da nossa vida! Vivam o Natal por todas as crianças e distribuam sorrisos pois pode ser o bastante para aquecer um coração! Boas Festas!

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Cátia



boñeco @ 01:11

Sab, 18/12/04

 

Gostava de ter um pouco da tua capacidade de exprimir emoções... Impressionante a forma como, ao ler, consegui ver a menina a saltar do comboio com um sorriso estampado.
Amo-te por isso e por muito mais...

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